Portas abertas para startups nos EUA

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A exportação de tecnologia e inovação é um importante caminho para o País, desde que o desenvolvimento de pesquisas nessas áreas sejam uma prioridade da economia brasileira. O comentário é do embaixador Alexandre Addor Neto, um dos palestrantes do debate sobre Internacionalização de Startups, realizado pela Intuel (Incubadora Internacional de Empresas de Base Tecnológica da Universidade Estadual de Londrina) nesta terça-feira (4). “Quanto mais valorizada for a esfera do domínio, da criação de tecnologia, mais vai haver oferta para outras economias. Essa tem que ser uma área crítica de apoio tanto do setor público quanto do empresarial.”  

Na visão do embaixador, o Brasil pode ter um papel “extraordinário” na exportação de tecnologia e inovação, mesmo que hoje o PIB do País esteja em 9º. “Do ponto de vista da inovação, estamos muito mais abaixo no ranking. Mas temos instituições de alta qualidade”, observa. Dentre os exemplos citados por ele estão Embrapa, INPA (Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia) e Esalq (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”).

O debate com a participação de Addor Neto foi o primeiro realizado pela Intuel em parceria com a Research Park, incubadora da FAU (Florida Atlantic University), localizada no estado da Flórida (EUA). Em agosto de 2018, a Intuel assinou um acordo de cooperação com a incubadora norte-americana. Com o acordo de cooperação, abre-se mais um caminho para o processo de internacionalização das startups da Intuel, destaca Edson Miúra, diretor da Aintec (Agência de Inovação e Tecnologia da UEL). A Research Park foi responsável pela segunda maior transação entre empresas no ano de 2018 nos EUA – a venda da startup catarinense Decora para a companhia estadunidense Creative Drive, por US$ 100 milhões.

No evento da incubadora, Luiz Henrique Perlingeiro, membro do Conselho da BIF (Brasil International Foundation), que intermediou o acordo entre a Intuel e a Reasearch Park, apresentou às startups o processo de seleção para ingressar na incubadora norte-americana. “A Flórida é quarto maior Estado americano, com um PIB de US$ 1 trilhão. Se a Flórida fosse uma economia, seria a 17ª maior do mundo”, destacou Perlingeiro.

Segundo ele, startups dos EUA estão migrando para a região, devido aos elevados custos do Vale do Silício. Além da FAU, existem na Flórida outras 71 universidades, cada qual com sua incubadora. Esses fatores, somados, representam uma grande oportunidade para as startups brasileiras. 

Embora precisem arcar com um custo mensal para se instalarem na Research Park da FAU, as startups incubadas têm acesso à pesquisa e tecnologia da universidade e ao mercado norte-americano, salienta o membro do Conselho da BIF.  

O mercado norte-americano apresenta muitas oportunidades, mas para se aproveitarem delas, as startups brasileiras precisam apresentar um bom plano de negócios e fazer estudo de mercado. “As oportunidades estão lá. Se a empresa acha que competitividade no mercado, as portas estão abertas”, diz Perlingeiro. Conforme ele, o governo dos EUA também se mostra bastante disposto para emitir vistos para startups que queiram fazer negócios no país. 

“Se nossas startups estiverem dentro do perfil procurado pelos investidores americanos, elas terão chance, correndo até mesmo o risco de serem vendidas por milhões, como aconteceu com o Decora”, comenta Miúra, da Aintec. Conforme lembra ele, o momento é propício para internacionalização nos EUA, já que o câmbio se mostra favorável para os investidores norte-americanos.

Startups preparadas para o LGPD terão vantagem competitiva

Com multas partindo de 2% do faturamento, até R$ 50 milhões, as startups também estarão sujeitas às regras da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), que entra em vigor no País a partir de agosto de 2020. Por outro lado, essas têm a vantagem de poderem se estruturar já de forma a atender as exigências da Lei, o que as colocará à frente de grandes empresas, que terão um grande trabalho pela frente para promover as mudanças necessárias. 

O alerta foi feito pela advogada Luciana Gouvêa, especialista em Mediação e Conciliação de conflitos Proteção Patrimonial e Recuperação Judicial, que esteve presente no evento da Intuel para falar sobre a LGPD. “É uma grande oportunidade para as startups”, ela pontua. 

Na visão da advogada, a LGPD tem foco nas pessoas, e deverá desencadear em um processo de “coerência” entre as empresas, que deixarão de cometer abusos ao coletar e compartilhar dados sem terem uma finalidade para isso. 

As mudanças deverão acontecer em todos os tipos de empresas que detêm dados pessoais, Gouvêa avisa – até mesmo em uma padaria que guarda anotações do telefone de seus clientes. Para estarem em conformidade com a lei, a advogada orienta as empresas a buscarem o auxílio de um profissional da área do Direito. 

Fonte: Folha de Londrina 

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