Sistema de Informação sobre a Biodiversidade vai integrar dados de projetos de ciência cidadã

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O Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) lançou uma plataforma online para popularizar a prática de ciência cidadã no país. Em sua primeira versão, a ferramenta apresenta informações e links de acesso a nove projetos de diferentes linhas de pesquisa. Chamada de Rede Brasileira de Ciência Cidadã em Biodiversidade, a plataforma foi criada a partir de um encontro de 50 especialistas, realizado em fevereiro em Brasília. O objetivo é promover o intercâmbio entre projetos brasileiros de ciência cidadã, com ferramentas conjuntas de comunicação e engajamento da sociedade e, em uma segunda etapa, a integração de dados no banco do SiBBr.

"A plataforma online de ciência cidadã é o primeiro passo para integrar os projetos brasileiros em um único local. Com ela, pretendemos fortalecer a comunicação das iniciativas que lidam com questões da biodiversidade e facilitar o acesso da população a projetos de interesse, aumentando a participação das pessoas e trabalhando pela popularização da ciência no Brasil", afirma a diretora do SiBBr, Andrea Portela, que é coordenadora-geral de Gestão de Biomas da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Ciência cidadã é a parceria entre cientistas e amadores na coleta de dados, na qual os projetos criam uma rede de voluntários para ajudar na pesquisa científica utilizando metodologias desenvolvidas por eles ou em colaboração com pesquisadores profissionais. Os "cidadãos cientistas" são pessoas que escolheram se dedicar à ciência em seu tempo livre, auxiliando na documentação de diferentes objetos de pesquisa, como registros de ocorrências de espécies, padrões de migração, propagação de doenças infecciosas, entre outros.

Segundo Andrea Portela, o objetivo é integrar os dados de projetos que integram a Rede Brasileira de Ciência Cidadã com o banco do SiBBr. "Atualmente, integramos e disponibilizamos dados provenientes de coleções biológicas. Com a aproximação com os projetos de ciência cidadã, abriríamos uma nova possibilidade para incrementar nosso banco de dados e ampliar as informações sobre a biodiversidade brasileira disponíveis no SiBBr, que são utilizadas tanto por pesquisadores, quanto por gestores da área ambiental", explica a diretora.

Com apoio técnico da ONU Meio Ambiente e suporte financeiro do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), o banco de dados do SiBBr já conta com mais de 12 milhões de registros de ocorrências de quase 100 mil espécies brasileiras, publicados pelas principais instituições de pesquisa nacionais como o Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) e do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP).

Conheça os primeiros nove projetos que participam da plataforma online da Rede Brasileira de Ciência Cidadã em Biodiversidade:

1. AeTrapp – Com o objetivo de engajar a população no monitoramento de populações de mosquitos Aedes, vetores de zika, dengue, chikungunya e febre amarela urbana, o projeto AeTrapp desenvolveu uma solução que possibilita a adaptação de ovitrampas, tecnologia já consolidada, mas restrita ao uso por agentes de saúde, para ser utilizada por cidadãos comuns.

2. Cidadão Cientista/SAVE Brasil – O projeto tem o objetivo de realizar monitoramentos participativos de aves em unidades de conservação e parques urbanos. As atividades ocorrem no mínimo uma vez ao mês em diferentes parques, principalmente de São Paulo, e são abertas a pessoas de todas as idades e níveis de conhecimento sobre aves.

3. Ciência Cidadã – UFABC – Com um programa focado na educação científica em diferentes contextos, o projeto de pesquisa pretende promover a alfabetização científica, trabalhar a percepção ambiental e, ao mesmo tempo, possibilitar a coleta de dados sobre a biodiversidade brasileira de maneira participativa em diferentes escalas de espaço e tempo.

4. Ecoa – Floresta e Carbono – O projeto auxilia comunidades tradicionais e assentados da reforma agrária na identificação de áreas com potencial de reflorestamento e/ou restauração e seu monitoramento durante o processo de "melhoria" ambiental; e no mapeamento de árvores frutíferas nativas de relevância ambiental e econômica para atividades de coleta de frutos e sementes para processamento de farinhas, castanhas e geleias, além do processo de produção de mudas.

5. Guardiões da Chapada – Sediado na Chapada da Diamantina, na Bahia, o projeto visa monitorar espécies polinizadoras e flora associada por meio de registros fotográficos, sensibilizar o público acerca da importância do serviço de polinização e comunicar temas relacionados à ecologia e conservação da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos.

6. Onde estão as baleias e os golfinhos? – A iniciativa conta com a participação dos cidadãos para a obtenção de registros de baleias e golfinhos, que possuem um ciclo biológico longo e estão em constante movimento em extensas áreas. Entre outubro de 2013 e julho de 2017, foram feitos 244 registros de avistamentos por cidadãos no Rio de Janeiro.

7. Sistema Urubu – O Sistema Urubu é uma plataforma tecnológica de ciência cidadã que visa avaliar os efeitos de infraestrutura viária na biodiversidade mundial. Nesta fase, o foco é o atropelamento de animais selvagens.

8. Taxéus – O projeto é uma plataforma, colaborativa e online, que promove conhecimento da biodiversidade brasileira a partir de listas de espécies e desenvolve ferramentas de tecnologia da informação diretamente aplicáveis a estudos ecológicos.

9. WikiAves – Site de conteúdo interativo, direcionado à comunidade brasileira de observadores de aves, com o objetivo de apoiar, divulgar e promover a atividade de observação de aves, fornecendo gratuitamente ferramentas avançadas para controle de fotos, sons, textos, identificação de espécies, comunicação entre observadores, entre outras.

Fonte: MCTIC

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