Inovação tecnológica não faz sentido sem inclusão social, diz secretário

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Sem inclusão social, o benefício econômico advindo da inovação tecnológica perde a razão de existir. A opinião é do secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Alvaro Prata, que coordenou na última quinta-feira (8) uma mesa-redonda do Seminário Internacional Inovação Social em Políticas Públicas, realizado pela Secretaria de Governo da Presidência da República (Segov), em Brasília (DF).

“O MCTIC enxerga a inovação tecnológica como um meio de gerar desenvolvimento econômico, mas sabemos que isso só faz sentido quando essa associação vem acompanhada por uma visão mais ampliada da inclusão social, sobretudo, neste momento do século 21, se nos atentarmos à Agenda 2030 e seus 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável [ODS], traçados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento”, comentou Prata, ao destacar que a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (Encti), válida de 2016 a 2022, tem como princípio básico o mote Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Econômico e Social.

Na mesa-redonda, o professor Manuel Laranja, da Universidade de Lisboa, abordou as mudanças profundas ocorridas nos sistemas ecológicos e na paisagem global durante o Antropoceno, período definido pela influência humana na Terra. Ele enumerou múltiplos colapsos desde o fim da década de 1980 para ilustrar como a “grande aceleração” vem se intensificando.

“Provavelmente na virada do século 20 para o 21, nós chegamos a uma altura em que o homem domina de tal maneira os recursos naturais que está a virar ao contrário o funcionamento do planeta. É a chamada grande aceleração, de onde vem o sentido de falarmos nos ODS.”, disse. “ “Ao olharmos para trás, verificamos que estamos continuamente em crise. Isso vai e vem mudando de nome e profundidade – crise tecnológica em 1999, imobiliária em 2006, financeira em 2008, econômica em 2009, todas normalmente seguidas de problemas sociais. De crise em crise, o mundo se tornou mais complexo.”

O diretor de operações do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Gustavo Leal Filho, definiu a atual velocidade das mudanças como avassaladora e instigante. “Isso deixa todo mundo perplexo e certamente angustiado com o futuro, ainda mais quando nós, brasileiros, nos damos conta de que o país não pode se jogar totalmente nessa agenda do século 21, porque infelizmente tem uma agenda do século 20 inconclusa: somos uma sociedade bastante desigual”, avaliou. “Valorizar a educação profissional pode ser uma ferramenta muito forte de inclusão social para jovens e adultos.”

A coordenadora da área programática do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Maristela Baioni, lembrou que a Agenda 2030 traz em seu arcabouço o tripé da integração do desenvolvimento econômico, social e ambiental, de forma equilibrada. O plano indica 17 ODS e 169 metas, para erradicar a pobreza e promover vida digna, dentro dos limites do planeta.

O ponto central do seminário realizado pela Segov é promover intercâmbio de experiências de aplicação de estratégias e práticas de inovação social no âmbito das políticas públicas, no Brasil e no exterior. Em função do ineditismo do tema, a ideia é sensibilizar, mobilizar e articular representantes dos setores públicos e da sociedade, além de contribuir para a implementação dos ODS.

Fonte: MCTIC

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