Dia da PI: mulheres inovadoras que transformam a sociedade

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Elas superaram o preconceito social e a dificuldade econômica para se dedicarem à profissão e acabaram se tornando lideranças em suas áreas. Essas são as histórias da professora e cientista Joana D´Arc Félix e da diretora da Associação dos Bananicultores de Corupá (Asbanco), Eliane Cristina Müller, que souberam usar a propriedade intelectual em favor do desenvolvimento econômico e social, como mostraram no dia 26 de abril durante evento comemorativo do Dia Mundial da Propriedade Intelectual. O tema este ano foi “O motor da transformação: as mulheres, a inovação e a criatividade”. A iniciativa foi organizada pelo INPI e a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI).  

O evento foi aberto pelo diretor regional da OMPI no Brasil, José Graça Aranha, e pelo diretor de Patentes do INPI, Júlio César Moreira, com mediação da jornalista Ceci Almeida. O presidente do Instituto, Luiz Otávio Pimentel, encerrou as atividades, destacando o papel das mulheres no INPI. 

Eliane Cristina Müller contou a história da Asbanco, criada em 1994, representando 600 famílias de pequenos agricultores do município de Corupá, no norte de Santa Catarina. Ali, mulheres assumem atividades de plantio, colheita, coleta e transporte, em pé de igualdade com os homens, o que muda a paisagem humana. 

– A maioria das mulheres de Corupá tem cabelos curtos para não embolarem nos cachos de banana – contou. 

A atuação feminina faz parte dos 110 anos de tradição dos bananicultores locais. O saber passado de pai para filho se soma aos fatores ambientais, uma vez que a região é montanhosa, com até 600 metros de altitude e temperaturas que podem variar de zero a 40º, o que aumenta o tempo de produção (entre 13 e 14 meses do plantio à colheita, enquanto em regiões mais ao norte, como o Norteste brasileiro e o Equador, esse tempo é por volta de sete meses).

Essa demora na colheita aumenta a concentração de amido na banana, o que lhe confere maior doçura. Segundo Eliane, a característica já foi comprovada em estudos que mostraram que a banana de Corupá é a mais doce do Brasil. 

Diante desse diferencial, da tradição local e da organização cada vez maior dos produtores, no ano passado a Asbanco depositou no INPI o pedido de indicação geográfica para a região. A área delimitada inclui não apenas Corupá, mas também os municípios vizinhos de São Bento do Sul, Schroeder e Jaraguá do Sul, pois todos produzem banana com as mesmas características. 

– A IG para nós é esperança e mudança de vida – disse Eliane, ressaltando a importância desta e outras ações para valorizar a autoestima dos produtores, que sofrem preconceito social, e a qualidade do produto, antes desvalorizado no mercado pelo aspecto mais escuro da casca. 

Joana D´Arc Félix também foi vítima de discriminação desde a infância. Negra e de família pobre, aprendeu a ler aos quatro anos com a mãe. Nos primeiros anos de escola, sofria com maus-tratos dos colegas, situação que enfrentou até a idade adulta, quando fez parte de seu doutorado em uma universidade na Carolina do Sul, nos Estados Unidos. Lá, se tornou “invisível” – era comum ser ignorada pelas pessoas. Mas persistiu no sonho de estudar e ganhar mais conhecimentos. Hoje, pós-doutora, dá aula na Escola Técnica Prof. Carmelino Corrêa Júnior (Escola Agrícola de Franca),  em Franca, São Paulo. 

Vendo a grande evasão escolar, muitas vezes perdendo alunos para o tráfico e a prostituição, a professora de química desenvolveu uma metodologia de aula que se orienta pela aplicação imediata dos conhecimentos e pela aproximação com a realidade dos jovens. Assim, iniciou atividades de pesquisa com estudantes do Ensino Médio, que rendeu dezenas de tecnologias inovadoras, patenteadas e até licenciadas para empresas no exterior.

O mote desses desenvolvimentos é a preservação ambiental a partir do reaproveitamento de resíduos da indústria coureiro-calçadista, um importante segmento econômico em Franca. Exemplos de produtos desenvolvidos na escola são uma pele humana artificial para transplantes e testes farmacológicos e um tecido ósseo para remodelação, reconstituição e transplante.

Com os contratos de licenciamento de patentes firmados, famílias de alunos, que muitas vezes passavam fome, ganharam uma fonte de sustento. E grande parte dos ex-alunos estão na universidade – mais ainda, nas faculdades de Química, para alegria de Joana. 

– Temos 80 prêmios nacionais e internacionais. Mas o maior prêmio, para mim, é o agradecimento das famílias dos alunos – disse a professora.

 

Fonte: INPI

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