2º Inovatec defende difusão sobre benefícios da ciência, tecnologia e inovação

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Pesquisadores e estudantes da UEL iniciaram nesta sexta-feira (27) um debate sobre o decreto que regulamenta o Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação (Lei Federal nº 13.243/2016), que cria regras e mecanismos para integrar instituições científicas e incentiva investimentos em pesquisa. A Lei exige adequações por parte das Universidades para a produção de ciência e tecnologia e integrou a programação do 2º Inovatec 2019, realizado nesta sexta-feira, no Anfiteatro do Centro de Estudos Sociais Aplicados (CESA) da UEL, reunindo pesquisadores e estudantes de várias áreas, além de autoridades da região.

O Inovatec pretende fortalecer a política de inovação na Universidade, envolvendo pesquisadores de diversas áreas. O primeiro evento do gênero foi realizado em fevereiro passado, abordando a implantação da política de inovação no Brasil. Neste segundo evento, os participantes discutiram o Marco Legal e as vantagens de obtenção de patentes verdes, a partir de processos e produtos que tragam benefícios ambientais.

O reitor da UEL, Sérgio Carvalho, destacou que o evento busca difundir internamente e junto à sociedade os efeitos e benefícios da inovação. "É um longo caminho de convencimento dentro e fora da academia", afirmou o reitor, acrescentando que se trata de um processo que remete à raiz da Universidade de produção de conhecimento. Segundo ele, a Universidade reúne um grande capital humano interessado em ciência e tecnologia responsável pela produção de um conhecimento que precisa ser de controle público. "Para tornar isso em produto é necessária uma parceria com a iniciativa privada, caso o contrário este conhecimento acaba ficando na gaveta", definiu.

Diversas autoridades participaram da abertura do 2º Inovatec, entre elas o vice-presidente da Câmara de Vereadores, Eduardo Tominaga; o coordenador de Ciência e Tecnologia da Superintendência de Ensino Superior, Ciência e Tecnologia (SETI), Paulo Renato Parreira; o vice-reitor da Unicentro, professor Vitor Hugo Zanetti; a coordenadora do Inovatec, professora Cristianne Cordeiro Nascimento, diretora de Planejamento e Integração Acadêmica, da Pró-reitoria de Planejamento (PROPLAN) e o diretor da Agência de Inovação Tecnológica (Aintec) da UEL, professor Edson Miura.

Marco legal - O coordenador-geral do Fórum de Assessores Parlamentares de Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação (Fórum CTIE), Gesil Sampaio Amarante Segundo, foi o convidado para a primeira palestra sobre o tema "Marco Legal dos Estados e Política Institucional de Inovação". O coordenador defendeu que as Universidades necessitam se adaptar para chegar à sociedade e que nem todo conhecimento gerado representa necessariamente inovação.

Ele fez comparativos interessantes para demonstrar o quanto o Brasil ainda pode expandir na área de inovação. No início dos anos 1980, por exemplo, o país era um importador de alimentos, transformando-se em pouco mais de 20 anos no líder mundial de produção de grãos. Em que pese todo o respaldo da pesquisa para este resultado, a Holanda é o segundo maior produtor de alimentos do mundo. Apesar da pequena dimensão continental, com apenas 33.800 quilômetros quadrados de território, ela é reconhecida por produzir produtos de alto valor agregado como flores e plantas ornamentais, hortaliças, frutas, queijos e lácteos. "Precisamos e podemos fazer muito mais apenas adicionando o conhecimento", afirmou Gesil Sampaio.

Ele citou ainda o caso da Unicamp, que no ano passado divulgou o relatório "empresas filhas da Unicamp", que reúne mais de 600 negócios relacionados aos setores de Tecnologia da Informação, Consultoria, Engenharia e outras. Essas empresas geram cerca de 30 mil empregos e foram responsáveis pela geração de R$ 4,8 bilhões em movimentação de recursos, entre outubro de 2017 e outubro de 2018, o equivalente a 2,5 vezes o orçamento da Unicamp. Esses dados, de acordo com o diretor, demonstram o potencial da produção de ciência e tecnologia, com foco na inovação.

Patente verde - Outro tema abordado no 2º Inovatec foi "Verde que te quero Verde – visão sobre as patentes verdes no Brasil", com o pesquisador do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) do Paraná, Douglas Alves Santos. Ele explicou que as concessões de patentes sustentáveis são mais rápidas, podendo um processo ser concluído no prazo de até nove meses e oferecendo um potencial muito grande para as Universidades do Paraná.

Segundo o pesquisador, a patente verde pode ser dividida entre Tecnologia Mitigadora e Tecnologia Adaptativa. São consideradas patentes verdes os processos que promovem o uso racional dos recursos ambientais e ações como redução do consumo de matérias-primas, de água e de energia elétrica. Outra característica diz respeito aos processos que buscam redução da emissão de gases do efeito estufa, de carbono e adaptação às mudanças climáticas. A primeira Patente Verde do Brasil foi aprovada pelo INPI em 2013, um processo de tratamento de resíduos sólidos que reduz o impacto ambiental e gera energia elétrica.

Oficina - Além das palestras, pesquisadores também participaram de uma oficina sobre Política de Gestão da Inovação na UEL, nesta sexta-feira, durante toda a tarde, na Sala 631, do Centro Educação, Comunicação e Artes (CECA). A atividade terá a participação do coordenador-geral do Fórum de Assessores Parlamentares de Ciência, Tecnologia, Inovação, Gesil Sampaio Amarante Segundo. A oficina deverá colaborar para a construção de uma política sólida da UEL. 

Fonte: Agência UEL
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